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Saúde e Bem-estar

Frio e coração: por que os casos de infarto aumentam no inverno e o que fazer para se proteger

Frio e coração: por que o infarto aumenta no inverno

Redação30 de julho de 2026 8 min
Senhor de casaco medindo a pressão arterial sentado à mesa de casa

⚠️ Antes de tudo: este texto é informativo e não substitui a orientação do seu médico. Nunca mude, reduza ou suspenda um remédio por conta própria — nem se a sua pressão parecer boa. E se você suspeitar de infarto ou AVC em alguém, ligue 192 imediatamente, sem esperar melhorar.

Todo ano acontece a mesma coisa, e quase ninguém liga uma coisa à outra: chega o frio e os pronto-socorros enchem.

Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que a incidência de infarto aumenta em até 30% durante o inverno. Os casos de AVC também sobem, especialmente quando a temperatura cai abaixo dos 14 °C.

Não é coincidência nem azar. É um mecanismo do corpo que dá para entender em dois minutos — e, uma vez entendido, dá para se proteger.

O que o frio faz com o seu corpo

Quando você sente frio, o organismo tem uma prioridade acima de todas as outras: não perder calor.

Para isso, ele libera substâncias chamadas catecolaminas, que fazem os vasos sanguíneos se contraírem. Menos sangue circulando perto da pele significa menos calor escapando pelo corpo. É uma defesa inteligente, e ela funciona.

Só que ela tem um preço.

Vaso mais estreito é vaso com mais resistência. E mais resistência significa duas coisas ao mesmo tempo:

  • A pressão arterial sobe
  • O coração precisa trabalhar mais para empurrar o sangue pelo corpo

Para um coração jovem e saudável, isso é apenas esforço extra. Para um coração que já convive com pressão alta, colesterol elevado, diabetes ou alguma doença cardíaca, esse esforço extra pode ser o empurrão que faltava.

E há um segundo fator que quase ninguém comenta: no frio, a gente muda de hábito. Come mais e pior, sai menos de casa, anda menos, bebe menos água. Colesterol e glicemia sobem justamente no mês em que o coração está sendo mais exigido.

Por que depois dos 60 o risco é maior

Não é alarmismo, é fisiologia — e saber disso ajuda a agir com antecedência em vez de reagir depois.

Com a idade, o corpo tem menos margem de manobra. A resposta ao frio tende a ser mais intensa: a pressão sobe mais do que subiria em uma pessoa jovem, e o sangue fica um pouco mais propenso a coagular. Some-se a isso o risco maior de infecção respiratória, que sobrecarrega o coração ainda mais.

Quem está no grupo que precisa de mais atenção nesta época:

  • Pessoas com pressão alta
  • Pessoas com diabetes
  • Pessoas com colesterol elevado
  • Fumantes
  • Quem já teve infarto, AVC ou tem alguma doença cardíaca
  • Quem tem insuficiência cardíaca

Se você se encaixa em algum desses, este é o mês de conversar com o seu médico — não em dezembro.

Como medir a pressão em casa do jeito certo

Esta é a parte mais útil do texto, e vale ler com calma.

Muita gente mede a pressão em casa e chega a conclusões erradas — para mais ou para menos — simplesmente porque mede errado. Um número falso alto gera susto e noite mal dormida. Um número falso baixo gera uma falsa tranquilidade, que é pior.

O jeito certo é assim:

Antes de medir

  • Use aparelho automático de braço, validado. Aparelho de pulso é bem menos confiável e não é o recomendado para acompanhamento.
  • Confira o tamanho do manguito. Braço mais grosso precisa de manguito maior. Manguito apertado demais faz o aparelho mostrar um número mais alto do que o real — é o erro mais comum de todos.
  • Vá ao banheiro antes. Bexiga cheia altera a medida.
  • Nada de café, cigarro, álcool ou exercício nos 30 minutos anteriores.
  • Fique 3 a 5 minutos sentado, em silêncio, antes de começar. Se você acabou de subir a escada e mediu, o número não vale.

Na hora de medir

  1. Sentado, costas apoiadas na cadeira
  2. Pés no chão, pernas descruzadas
  3. Braço apoiado sobre a mesa, na altura do coração — braço pendurado ou apoiado baixo altera o resultado
  4. Manguito no braço sem roupa, cerca de dois dedos acima da dobra do cotovelo
  5. Não fale e não se mexa durante a medida
  6. Faça três medidas, com um minuto de intervalo entre elas
  7. Descarte a primeira e considere a média das outras duas

Se o seu médico pediu acompanhamento

O protocolo que os cardiologistas usam é este: três medidas de manhã, antes do café e antes do remédio, e três no fim da tarde ou à noite, antes do jantar, durante cinco dias.

Anote tudo com data e horário e leve na consulta. Esse registro vale mais para o seu médico do que a medida isolada do consultório — porque mostra o seu dia a dia, e não um momento de nervosismo.

E o aviso mais importante desta seção: se a sua pressão subir no inverno, isso não é motivo para você mexer na dose do remédio. É motivo para ligar para o seu médico. Alguns ajustes sazonais são comuns e são o médico que faz, com o histórico na mão.

Oito cuidados que fazem diferença neste mês

1. Não pare o remédio. Nunca. Parece óbvio, mas é a principal causa de descompensação. Remédio de pressão não é para tomar quando a pressão está alta — é para manter a pressão baixa. Se você esquece com frequência, uma caixinha organizadora por dias da semana resolve o problema melhor do que a força de vontade.

2. Aqueça-se por camadas, e comece pelas extremidades. Pés, mãos, cabeça e pescoço são por onde mais se perde calor. Várias camadas leves aquecem melhor do que uma peça grossa — e permitem tirar uma quando você esquenta, evitando o suor que depois esfria.

3. Cuidado com o choque de temperatura. Sair do banho quente direto para o ambiente frio, ou da cama coberta para o chão gelado, é justamente o momento de maior variação. Deixe o roupão e o chinelo ao alcance da mão. Aqueça o banheiro antes, se possível.

4. Mude o horário da caminhada. As primeiras horas da manhã juntam duas coisas ruins: o pico natural da pressão ao acordar e a temperatura mais baixa do dia. No inverno, prefira o meio da manhã ou o fim da tarde. E não abandone a atividade — sedentarismo no inverno é parte do problema.

5. Beba água mesmo sem sede. No frio a sede diminui, mas a perda de líquido continua. Desidratação deixa o sangue mais concentrado, o que não ajuda em nada. Uma garrafa térmica com chá ou água morna à mão costuma funcionar melhor do que a promessa de "beber mais água".

6. Atenção redobrada com o sal. Sopa industrializada, caldo em cubo, embutidos e comida de conforto do inverno costumam ser muito salgados. É a combinação exata que você não quer neste mês.

7. Tome a vacina da gripe. Não é assunto de resfriado — é assunto de coração. A gripe sobrecarrega o organismo e pode desencadear eventos cardíacos em quem já tem risco. A vacinação também é recomendada contra pneumococo para idosos e pessoas com doenças crônicas. Converse com o posto de saúde.

8. Cuidado com o aquecedor. Uma advertência de segurança que raramente aparece: nunca use aquecedor a combustão, lampião, churrasqueira ou o forno do fogão para aquecer um cômodo fechado. O risco de intoxicação por monóxido de carbono é real e as mortes acontecem todo inverno. Aquecedor elétrico em ambiente ventilado, sempre.

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Reconhecer um AVC em 30 segundos: o teste SAMU

O Ministério da Saúde criou uma forma simples de memorizar os sinais, usando a própria sigla do serviço de emergência.

S — Sorria. Peça para a pessoa sorrir. Se o sorriso ficar torto ou só um lado do rosto se mexer, é sinal de alerta.

A — Abrace. Peça para levantar os dois braços. Se um cair ou não subir, é sinal de alerta.

M — Música. Peça para cantar uma música ou repetir uma frase. Se a fala sair enrolada, trocada ou não sair, é sinal de alerta.

U — Urgência. Diante de qualquer um desses sinais, ligue 192 imediatamente.

O tempo aqui é tudo. Existe uma janela de cerca de quatro horas e meia desde o início dos sintomas em que os tratamentos são mais eficazes. Cada minuto de espera é tecido cerebral perdido.

Não leve de carro se puder chamar o SAMU. A ambulância já começa o atendimento no caminho e leva a pessoa ao hospital certo, que nem sempre é o mais próximo.

Infarto nem sempre dói no peito

Este é o ponto que mais precisa ser conhecido — e o menos divulgado.

A cena do filme, com a mão no peito e a dor fulminante, é apenas uma das formas. Em pessoas idosas, em mulheres e em quem tem diabetes, o infarto costuma se apresentar de forma diferente.

Sinais que merecem atenção:

  • Falta de ar sem dor forte no peito
  • Suor frio e palidez repentina
  • Náusea, vômito ou mal-estar parecido com má digestão
  • Cansaço extremo, desproporcional ao esforço feito
  • Tontura ou sensação de que vai desmaiar
  • Desconforto que irradia para braço, mandíbula, pescoço ou costas
  • Queimação ou pontadas difusas no peito

Muita gente passa horas achando que comeu algo pesado. Essas horas são exatamente as que mais importam.

A regra, e ela é simples: na dúvida, ligue 192. Ninguém é repreendido por chamar o SAMU e não ser nada. O contrário custa caro.

O resumo

  • O frio contrai os vasos, eleva a pressão e faz o coração trabalhar mais
  • Os casos de infarto sobem até 30% no inverno
  • Nunca mexa na dose do remédio por conta própria — fale com o médico
  • Meça a pressão com aparelho de braço, sentado, em repouso, três vezes
  • Mantenha a caminhada, mudando o horário para o meio do dia
  • SAMU: Sorria, Abrace, Música, Urgência — 192
  • Infarto nem sempre dói no peito. Falta de ar e suor frio contam

Agasalhe-se, tome o remédio, beba água, marque a consulta que você vem adiando. É um inverno só. Ele passa — e a ideia é passar por ele inteiro.


Perguntas frequentes

O frio realmente aumenta a pressão arterial?
Sim. Em resposta ao frio, o corpo libera catecolaminas, que contraem os vasos sanguíneos para reduzir a perda de calor. Essa contração aumenta a resistência à passagem do sangue e, com isso, eleva a pressão arterial e exige mais trabalho do coração.
Por que os casos de infarto aumentam no inverno?
Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo aponta aumento de até 30% na incidência de infarto durante o inverno. Contribuem a elevação da pressão pelo frio, a maior tendência à coagulação, o sedentarismo e as mudanças alimentares típicas da estação, além das infecções respiratórias.
Devo aumentar o remédio de pressão no inverno?
Não por conta própria, em hipótese alguma. Ajustes sazonais de dose existem, mas quem faz é o médico, com o seu histórico em mãos. Se as medidas em casa estiverem mais altas que o habitual, anote e agende uma consulta.
Aparelho de pressão de pulso é confiável?
É menos confiável que o de braço e não é o recomendado para acompanhamento. A medida no braço, com manguito de tamanho adequado e aparelho validado, é o método indicado pelas diretrizes.
Qual é o jeito certo de medir a pressão em casa?
Sentado, com as costas apoiadas, pés no chão e o braço apoiado na altura do coração, após 3 a 5 minutos de repouso, sem falar durante a medida. Faça três medidas com um minuto de intervalo, descarte a primeira e considere a média das outras duas.
Como reconhecer um AVC rapidamente?
Use o teste SAMU: peça para a pessoa Sorrir (boca torta?), Abraçar ou levantar os dois braços (um cai?) e cantar uma Música ou repetir uma frase (fala enrolada?). Diante de qualquer sinal, é Urgência: ligue 192 imediatamente.
Infarto sempre causa dor forte no peito?
Não. Em idosos, mulheres e pessoas com diabetes, o infarto frequentemente se manifesta de forma atípica, com falta de ar, suor frio, náusea, cansaço extremo ou mal-estar parecido com indigestão, sem dor intensa.
A vacina da gripe tem relação com o coração?
Sim. A gripe sobrecarrega o organismo e pode desencadear eventos cardíacos em pessoas com risco prévio. Por isso a vacinação é recomendada especialmente para idosos e pessoas com doenças crônicas.

Fontes

Consultadas na data de publicação deste artigo.

  1. Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo / Hospital das Clínicas — Casos de infarto e AVC aumentam 30% no inverno
  2. Ministério da Saúde — Teste SAMU para reconhecimento de AVC
  3. Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina — Dia Mundial do AVC: reconheça os sinais e busque ajuda imediata
  4. Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretrizes de Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA)
  5. BVS Atenção Primária em Saúde — Como fazer e interpretar a MRPA
  6. Hospital Israelita Albert Einstein — Como reconhecer sintomas de um ataque cardíaco e o que fazer
  7. Santa Marcelina Saúde — Inverno acende alerta para o coração

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